Friday, April 21, 2017

Pêras ... e poesia!



 A pêra
Los Angeles
Como de cera
E por acaso
Fria no vaso
A entardecer

A pêra é um pomo
Em holocausto
À vida, como
Um seio exausto

Entre bananas
Supervenientes
E maçãs lhanas

Rubras, contentes
A pobre pêra:
Quem manda ser a?

Vinicius de Moraes…Los Angeles, 1947.


"Subiu a uma pereira
um homem por lhe ver peras,
ele peras não comeu,
também a ninguém deu peras.
Não botou peras no chão,
consigo não trouxe peras,
mas consta que na pereira
também não ficaram peras.
Pergunta-se agora a todos
como foi isto das peras?
Quem quiser dar neste enigma
decerto tem para peras.”



Tinha uma pêra sobre a mesa
Verde, arenosa e suculenta
(Como desejei!)
De tanto vê-la, senti-la pudera
Mas nunca prová-la, a certeza.
(Nunca por, pequei!)
Pêra abstrata, pura, inata
Pêra dos deuses, fruta despida
Adão, Eva, a serpente cobiçara
Dessa fruta inerte a mordida
Pêra minha delícia
De saborear-te a doce espera
De desejar-te a lascívia
Que em meu paladar desperta
Pêra minha da janela. 

(desconheço autor!)

Tuesday, April 18, 2017

Primavera ... olhares poéticos!


Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa




 A Tua Voz de Primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios húmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"




 De Florbela Espanca

É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!
.
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
.
Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...
.
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...




Em cada Primavera
...há um renascer...
uma vontade enorme de recomeçar!!!

Wednesday, April 12, 2017

Cruz e poesia!

Uma Santa Páscoa!!!





Acusação à Cruz

 Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
 Desfeita podridão, velho madeiro!
 Que tens avassalado o mundo inteiro,
 Como um pendão de luto levantado.

 Se o que foi nos teus braços cravejado
 Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
 Elle está mais ferido que um guerreiro
 Para livrar das flexas do Peccado.

 Ha muito já que espalhas a tristeza,
 Que lutas contra a alegre Natureza,
 E vences ó Cruz triste! Cruz escura!

 Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
 Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
 Um emblema de morte e sepultura!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
...um poeta...e crítico literário português.

Monday, April 10, 2017

Poesia (en)rendada!!!

A palavra "rendas"... é homónima ... 
pois lê-se e escreve-se da mesma maneira
mas tem significados tão diferentes!

Estas "rendas" encantam 
quem gosta desta arte ... as "rendas de casa"...
andam na boca do povo 
... pois com a nova lei de arrendamento...
as rendas andam enrodilhadas!





E ainda consegui descobrir estas rendas:

NÃO TE RENDAS MEU POVO

Não te rendas meu povo, não te rendas
Às mãos de quem te quer voltar a ver
Cativo e desgraçado não te vendas
Aqui, nada mais temos a vender

Não te cales meu povo, que a saudade
Já não pode roer dentro de nós
Se o teu punho constrói a liberdade
Levanta ainda mais a tua voz

Não te rendas meu povo, não te rendas
Já nos querem sós e divididos
Já nos querem fracos e calados

Não te rendas meu povo, não te rendas
Não te cales meu povo, não te cales
Quando nos quiserem já vencidos
Hão-de ter-nos de pé e perfilados
Não te rendas meu povo, não te rendas

Letra: Joaquim Pessoa
Música:João Fernando

Friday, April 7, 2017

Soneto ... ao mondego!

Soneto de Camões

Doces águas e claras do Mondego,
doce repouso de minha lembrança,
onde a comprida e pérfida esperança
longo tempo após si me trouxe cego;

de vós me aparto; mas, porém, não nego
que inda a memória longa, que me alcança,
me não deixa de vós fazer mudança,
mas quanto mais me alongo, mais me achego.

Bem pudera Fortuna este instrumento
d'alma levar por terra nova e estranha,
oferecido ao mar remoto e vento;

mas alma, que de cá vos acompanha,
nas asas do ligeiro pensamento,
para vós, águas, voa, e em vós se banha.


Luís Vaz de Camões













Ao passar por Coimbra aprecie as suas margens!!!

Tuesday, April 4, 2017

Poesia ... e Coimbra!

Monumental
esta homenagem feita à cidade de Coimbra!

É de um requinte e bom gosto
perspicaz ao nosso olhar!



Num olhar atento vemos:
a mulher ... o fado ... o estudante ... a rainha santa
numa elegante silhueta
que não deixa indiferente quem
passa ... junto ao Arco de Almedina!








 Coimbra

Coimbra... Terra bela de encantos,
Imortal fado que de ti emana;
De lendas antigas... Lindos contos,
Beleza rara que não engana!

Águas calmas correm em teu leito
Que um dia esse rio viu nascer...
Corre o Mondego calmo e perfeito,
Assim sempre te deixem correr!

Tuas pontes que dão passagem
Às gentes percorrendo a vida...
De uma para a outra margem,
Há sempre uma ponte esquecida!

Do velho Choupal imortalizado
E da Lapa em seu esplendor,
Os versos que cantam teu fado...
São olhos de um grande amor!

Em soneto Camões te celebrizou
No universal canto... A tua memória!
Como ele... Ninguém mais cantou,
Épocas passadas da nossa história!

Valioso saber a gente muito ilustre...
Transmitiste das formas mais variadas;
Cidade berço de um menino mestre,
Que tão belas obras deixou desenhadas!

Coimbra... Das serenatas ao luar
Com sons de guitarras melodiosas!
Saem pelas gargantas a cantar...
As mais lindas vozes portuguesas!!

Matias José (05-05-2009)

A Alma feminina da cidade
tão serena no seu pousar!

Saturday, April 1, 2017

de ... Clarice Lispector

Para ler...e meditar!


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.


Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.


Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.


As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.


A felicidade aparece
 para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam 
e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas 
que passam por suas vidas.


O futuro mais brilhante
é baseado num passado
 intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as deceções do passado.


A vida é curta, 
mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.


Um fim de semana HARMONIOSO!!!