A minha filha fez-me chegar este texto
ainda os meus pais eram vivos
e eu ao lê-lo vi-me ao espelho!
Uma mistura de sorrisos e lágrimas
não se contiveram em meu coração!!!
Vale a pena...lê-lo:
"Este é o texto que dói escrever e custa muito ler...
Cuidar de quem amamos e que adoeceu
é andar em cima de uma linha muito fina,
como um equilibrista,
em que o susto de cair nunca nos abandona
nem a esperança de chegar ao outro lado
sem que aconteça nada de mal a quem levamos ao colo.
Uma dor física e desconfortável gritante
pelo desconforto do peso,
mas uma dor que conforta
porque é sinónimo de vida,
porque a alternativa é o vazio
e a perda e por amor preferimos suportá-la.
Não foi uma escolha tua,
não foi pensado e provavelmente
nem tiveste tempo
para processar a notícia,
em segundos tiveste de concentrar-te
em arranjar formas de ‘salvar’
quem amas e de garantir
que o fim do caminho é a cura e não a morte.
O caminho em que estás, como cuidadora,
é feito de implosões e de felicidade,
porque não te é permitido ir abaixo e falar de ti,
dos teus cansaços, das tuas frustrações,
daquilo que estás a abdicar por um lado
e de felicidade porque cada vitória
conseguida neste caminho,
cada resultado de análises, cada dia bom,
cada gargalhada, cada momento sem dor
são memórias que tatuas em ti sem igual.
Provavelmente, há novos lugares
que conhecem as tuas lágrimas,
o teu carro no caminho para casa,
a água do banho em que as tuas lágrimas
se dissolvem e os raros momentos
em que te permites ir abaixo,
de preferência sem que ninguém se aperceba.
As implosões começam no momento
em que sabes a notícia,
porque não podes demonstrar o medo
e o desespero que estás a sentir,
depois porque começas a ficar
verdadeiramente cansada
e a certo ponto porque
até saco de pancada te tornas.
Mas aguentas tudo estoicamente
e por amor.
És perita em mascarar por amor.
O conforto só virá
se te assegurares que deste tudo de ti.
O amor ficará imortal.
O amor cura e as ligações são eternas.
Qualquer que seja o desfecho,
o comprimento da linha fina,
fria, metálica e sem rede de protecção
que é este teu caminho,
qualquer que seja a dor física
que sentes em cada momento
de quem levas ao colo neste caminho,
lembra-te de cuidar também de ti,
de procurar um porto de abrigo,
de vulnerabilidade,
de conforto e sobretudo de amor.
Amor por quem cuidas,
por quem estás a dar tudo de ti e amor por ti,
porque não há maior prova de amor
do que viver um momento doloroso,
entregando tudo o que se tem a quem se ama,
por isso não exijas demais da tua alma.
Para ti que cuidas de quem amas
estás numa viagem dolorosa
e de incertezas e ao mesmo tempo preciosa,
porque te obriga a focar-te
em cada momento do presente,
a aproveitar cada memória.
CUIDAR dos meus Pais foi a minha última missão
durante seis anos:
Unidos na saúde...juntinhos na doença!!!
E em DEUS ... descansam em PAZ!
Nós vos amamos e muito!!!